26 junho 2006

Deixo-me dispersar no silêncio






















No silêncio disperso-me do real e deixo as palavras virem,
Novas ou talvez não, sentidas ou frias
Elas chegam-me à mente
Apoiam-me, mimam-me, ressuscitam-me.

Saboreio o prazer da escrita
Deixando-as ocupar o seu espaço no papel,
Fixo-as levemente
Abrindo novas linhas, vestindo-as de pontos e exclamações.

Vou colorindo os sentimentos
Soltando ideias que fluem à pele.
Verás que componho uma escrita indestrutível
Que me devolve a expressão.

Assim, corto as cordas com que me prendo,
Quando não quero ir até ti.
Deito-me a observar as minúsculas estrelas e luzinhas
Como se me afundasse no céu.

Vou sem angústias compondo um novo amor
Sem me condenar a nada
Admiro os teus objectos para assim te lembrar.

Calo-me
Que não te guies pela minha voz.
Sou a mulher desabitada que se deixou esvaziar.
Tu não podes ser o amigo
Quero-te longe para não me lembrar que te amo.

10 comentários:

Anónimo disse...

Como se soubesse amar de cor, sem contar a dor, deu luz à sombra mas escureceu. Havia perdido a chave. E sabia bem entrar, voltar a ver. Como se estivesse perdido, rodopiava no escuro com uma certa magia. Não se encontrava órfão do peso, sentia até que o fardo o queria abandonar. Mas não conseguia esquecer a origem e o fogo, não a esquecia. A ela voltava frequentemente. Sem remorsos, mar adentro. Golpeava-a na água, em movimentos lentos. Já sonhava, aposto. É sempre assim numa despedida. “Até sempre” é um conforto patético. “Até breve”, ainda que improvável, parece-me bem mais exacto.

Carlos Pinto disse...

A escrita...
Um dos muitos talentos em ti!!
Linda, solta.te do que nao te faz sentir bem, do que nao te sabe dar o devido valor que mereces... como e possivel?!

Nao deixes que te tirem o colorido dos sentimentos.

Anónimo disse...

Faz do teu "sempre" o teu sonho. Completo e limpo porque tu mereces ser única e primeira em tudo. Mais e melhor é o caminho que os teus passos sabem dar. E eu a teu lado Amiga :)*

C.

Anónimo disse...

Parabéns, como outros este e mais um lindo pensamento que aqui tu transcrevi, sou fã de todos, por ver que tu escrevi com alma, sabedoria e sentimento...este em especial o ultimo parágrafo fez-me voltar ao passado, e deixar me mas uma vez com a certeza de que, afastando nos de quem amamos não e a melhor maneira para se esquecer...embora concordando com o facto de que, não conseguimos ser o amigo ideal para a pessoa que amamos de verdade!

stela disse...

olá, visito-te pela 1.ª vez e com este poema, quase me "deixaste de rastos", eu sinto assim, às vezes...
bjs

JP disse...

Que se pode dizer quando tudo já foi dito?...
Realçar?, não é necessario, as palavras falam por si.

JP disse...

Não devia dizer isto, mas queres linkar comigo? para não perder o teu caminho.
visita-me!

sniqper disse...

Se eu me magôo e passo a "odiar" quem foi insensível comigo, esse problema é MEU, não do outro. O outro apenas não correspondeu às minhas expectativas, não deu o colo que eu achava que merecia, não foi o amigo que eu queria que tivesse sido. Ele foi ELE. EU é que queria que ele tivesse agido diferente. Então EU sou o responsável pelo que sinto. (Léa Waider)...Palavras simples mas que respondem ao que escreveste. Talvez odiar seja muito forte, mas é outra forma de amar, é o oposto. Parabéns amiga continuas sensível e com tudo, como já te disse não pares, continua, e quando menos esperares o que sonhas via-se realizar. Kisses.

Broken.Heart disse...

Tudo quanto te desejo, é que encontres alguém que te faça feliz. Mereces. Beijos.

casadoesquilo disse...

Mergulhado numa ameixa vermelha acompanhada por um saboroso resto de espumante de vinho verde, quase, repito quase refrescante nesta noite de verão bem quente, leio com arrepio o sentimento da escrita que te inunda, ou melhor, que nos inunda.

Sou um ser capaz de dar graças à magoa pela sua capacidade em nos fazer pensar, em nos fazer sentir e em nos fazer viver, ainda que de uma forma diferente. Mas, mais valor dou à vida, essa sim ora mais alegre ora menos alegre é ELA, aquela que nos faz sorrir, chorar, arrepiar e olhar o dia de amanhã com esperança.

Existem duas mensagens subliminares: uma é a esperança que devemos ter na vida; a outra só posso esclarecer daqui a uns meses.

Parabéns pela escrita... sentida.
Termino a pensar "vamos viver o que temos e não o que não temos por muito e muito que queiramos ter".

Beijos