
No silêncio disperso-me do real e deixo as palavras virem,
Novas ou talvez não, sentidas ou frias
Elas chegam-me à mente
Apoiam-me, mimam-me, ressuscitam-me.
Saboreio o prazer da escrita
Deixando-as ocupar o seu espaço no papel,
Fixo-as levemente
Abrindo novas linhas, vestindo-as de pontos e exclamações.
Vou colorindo os sentimentos
Soltando ideias que fluem à pele.
Verás que componho uma escrita indestrutível
Que me devolve a expressão.
Assim, corto as cordas com que me prendo,
Quando não quero ir até ti.
Deito-me a observar as minúsculas estrelas e luzinhas
Como se me afundasse no céu.
Vou sem angústias compondo um novo amor
Sem me condenar a nada
Admiro os teus objectos para assim te lembrar.
Calo-me
Que não te guies pela minha voz.
Sou a mulher desabitada que se deixou esvaziar.
Tu não podes ser o amigo
Quero-te longe para não me lembrar que te amo.