18 março 2006

Praça Arrefecida

Cadeiras amarelas abandonadas à toa numa praça arrefecida,
Aguardam as nuvens passar,
Aguardam, até ao momento em que brilhará um reflexo no lago gelado.
Deve ainda ser cedo...

Não me apetece esperar, continuo...

Estás numa cidade adormecida por sons mecânicos,
Um ruído de frustração e incompreensão.

Pessoas adormecidas que anseiam amar para renascer
Por uns meses, anos...
O fetiche do parceiro perfeito imperfeito sempre encantado
Que os levará até ao vale do amor,
Para finalmente mudar-lhes a vida para sempre.
Almofadas sustentam vidas cinzentas, sem brilho, sem cor... com dor.

Animais perdidos com rosto baixo, abandonados,
Vagueiam preparados para amar intensivamente o próximo dono.
Ansiosos por uma coleira que lhes dê segurança, estabilidade, equilíbrio...
Que os prenda a vida.
Seres inanimados à procura do reflexo em si do amor.
Sobreviventes sem vida,
Maus amantes, errantes...
Que só não sabem amar-se!

Ah! Se amassem-se!
Iriam acordar...
Iriam ver...
Iriam amar...
Iriam ser amados...
Iriam viver...

3 comentários:

Clara disse...

Há tanta coisa que infelizmente sustenta uma vida cinzenta e a faz "ir andando..." e eu pergunto, para quê?

Anónimo disse...

eu deixo aqui um beijinho! o primeiro!

Anónimo disse...

ass. Andre Alves