
No Outono prematuro vem o escurecer
pôr em evidência todo o absurdo,
na sombra sou a escrava pautada pelo destino,
perco-me em mim, em noites de boémia consciente.
Repouso na interrupção dos sonhos,
repouso os olhos que se cansaram de esperar ver-te,
repouso porque se cansaram de chorar-te,
repouso porque há um chá que evapora lentamente.
Uma mistura de sensações,
uma mistura de sentimentos,
uma mistura de sofrimentos,
que baste este chá para adoçar os sentimentos e
afogar os sofrimentos.
Penso às vezes que já saí daqui,
Penso às vezes que nunca sairei...
Esquecer os fantasmas na fé do infinito,
no abstrato indefinido...
Perder-me no destino profundo
deixar-me desdenhar num mundo de tédio,
num pesadelo inútil onde as paredes de nada impedem,
há mais em mim, há a surdez da vida de que me falo.
Oh trage forçado que me convertes,
apeadeiro que não me deixas chegar,
opressão que me penitencias na solidão,
como me puderam um dia amar assim!
Ocorre-me a existência de um farol...
irei, irei até ao fim.