
As raízes que me sustentam,
A infância de onde vim
São a minha essência.
Venho daqui, de dentro da natureza.
Cresci a ouvir os sons dos pássaros no alto,
As aguas acariciavam-me os pés nas
Tardes quentes da primavera.
Sempre reconheci a força que brota da mais pequena flor.
São os campos da minha infância
Que me alimentam o pensamento.
Corre em mim o sangue de agricultores sábios,
De quem cedo descobriu de onde vimos e para onde vamos.
(Os ciclos da natureza!)
Assim como no campo o repouso evita a esterilidade,
Eu espero o momento.
A terra fértil precisa
Do tempo certo para o cultivo,
Assim é a vida
Um momento.
Aprendi a entender a vida na natureza
Com os meus avós...
É preciso por vezes esperar para colher o fruto mais saboroso.
A ambição na terra leva à ruptura, à desertificação.
O quanto esperei... para colher a minha primeira maça.
Até hoje sinto aquele gosto verde, ácido que me marcou.
A árvore esquecida deixou de dar frutos
E foi condenada ao fim.
Eu perdi-a!
(dedico estas palavras aos meus avós e a única arvore que plantei)