Cadeiras amarelas abandonadas à toa numa praça arrefecida,
Aguardam as nuvens passar,
Aguardam, até ao momento em que brilhará um reflexo no lago gelado.
Deve ainda ser cedo...
Não me apetece esperar, continuo...
Estás numa cidade adormecida por sons mecânicos,
Um ruído de frustração e incompreensão.
Pessoas adormecidas que anseiam amar para renascer
Por uns meses, anos...
O fetiche do parceiro perfeito imperfeito sempre encantado
Que os levará até ao vale do amor,
Para finalmente mudar-lhes a vida para sempre.
Almofadas sustentam vidas cinzentas, sem brilho, sem cor... com dor.
Animais perdidos com rosto baixo, abandonados,
Vagueiam preparados para amar intensivamente o próximo dono.
Ansiosos por uma coleira que lhes dê segurança, estabilidade, equilíbrio...
Que os prenda a vida.
Seres inanimados à procura do reflexo em si do amor.
Sobreviventes sem vida,
Maus amantes, errantes...
Que só não sabem amar-se!
Ah! Se amassem-se!
Iriam acordar...
Iriam ver...
Iriam amar...
Iriam ser amados...
Iriam viver...
18 março 2006
07 março 2006
Sofrer

Quis sofrer ao teu lado
despertaste em mim um
Eu interior desconhecido.
Estou completa, é melhor assim.
Surpreendo-me a cada esquina,
vejo tudo diferente, vejo mais,
sinto mais...
Desta vez vou mais longe!
Vou mais alto!
O medo não me impede de sofrer,
apenas de viver...
Lisboa fica linda quando se despede
Do Sol...
No Tejo, o reflexo dos últimos raios do teu calor.
Dá-me vontade de ficar
Por entre os sonhos de um amor esquecido.
Bairro Alto, o Cravo e Canela da vida,
Frágil momentos de amor e esperança.
Só por hoje, o Sol não volta!
Não te posso ter mais aqui...
Recomponho-me,
enrolo-me no xaile aquecido
e serenamente espero o teu sinal de mudança.
26 fevereiro 2006
A procura da entrada

Atormentada procurei as palavras...
A perspectiva é nova, a energia voltou,
troquei as acusações descontentes por momentos diferentes.
Situações em que teria perdido se... mas não perdi.
Pormenores fizeram sempre a diferença,
estiveste sempre presente.
Agora procuro em ti, amor, a porta de saída.
Sei que não me vou cansar na procura.
Preparo-me para o fim, enquanto luto.
Entro nas batalhas de cabeça baixa,
a proteger-me para suportar melhor a perda.
Gostava de poder lutar, mesmo que fosse uma vez...
Iria mostrar-me que também sou capaz de ganhar.
Crio ilusões da luta, ilusões do máximo esforço.
A realidade é que apenas me protejo, desde o início.
Foco a minha atenção no fim, parto com a linha de chegada
na mente, vivo de forma depressiva.
Em função da perda.
Apaguei das memórias as crenças.
Como gostava que me fizesses acreditar!
Ciclos completam-se quando chegam ao fim.
Sei que este é um novo ciclo quero acreditar
que será diferente, mas foi sempre assim!
Sinto-me longe, afastada de mim...
Perdida, sem acreditar mais em ti!
Deixei-te ir, quis o fim...
09 fevereiro 2006
Por medo...

Medo, um condicionante da vida,
Que nos prende e impede de viver.
O que é o medo?
Quem seria eu se não tivesse medo?
Onde estaria eu se não tivesse medo?
Quando amaria eu se não tivesse medo?
Tenho medo de envelhecer,
Tenho medo de acordar um dia e descobrir que é tarde!
Que deixei-me adormecer...
Já perdi muito por medo.
Arrependo-me de ter tido medo de partir!
Não lutei por ti,
Tive medo...
Amemo-nos...

O palco está montado,
A música está no nosso ouvido,
As luzes iluminam-me na procura.
Desta vez sei por onde não quero ir.
Conheço os locais por onde passeio,
Conheço os trilhos que me podem levar ao fim.
(Sei que ele vai estar sempre lá.)
Quero acreditar na mudança,
No outro lado da minha vida.
Será diferente... sinto-o!
Quero ver o Sol noutra perspectiva,
Mas continuar a sentir o teu calor.
Começo as arrumações,
Em caixas deixo uma parte de mim.
Gostava que não tivesse de ser assim!
Em frente,
Parto para o recomeço.
Vejo o futuro tão longe,
Anseio com emoção o que será meu!
Ser meu...
Nunca desejei.
Se o quisesse...
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